
Quadro de Van Gogh
O quadro de Lord Browning
Lígia Torres dos Reis B. Ferreira 3ºC
Natália Maria Bordotti Moreira 3ºC Inglaterra, 1899. James Ridley caminhava pelas margens do Rio Tamisa. Após uma briga com Robert, seu pai adotivo, ele relembrava sua infância e juventude. James fora uma criança traumatizada pela morte de seus pais, cruelmente assassinados, quando ele tinha apenas cinco anos.
O dono do hotel, onde Mary Kate e Brendan, os pais de James trabalhavam, mandaram-no para um orfanato, onde ficou até ser adotado pelo poderoso e respeitado Robert de Winter, no dia de seu aniversário. O homem o levou para viver em sua mansão ao norte de Londres.
James cresceu em meio ao luxo, riqueza e mulheres bonitas. Estudo nas melhores escolas da Europa e foi preparado para um dia assumir o lugar de braço direito de Robert.
Enquanto morava na França, James conheceu Tom Phelps, filho de Stephen Phelps, aliado de Robert. Eles eram muito parecidos e logo tornaram-se grandes amigos.
De volta à Londres os já crescidos, James e Tom, foram apresentados à sociedade secreta fundada por Robert, Shadow, uma organização criminosa, que roubava e matava para aumentar a fortuna de seus associados.
A primeira missão que a dupla recebeu foi roubar um quadro escondido em um conventp no interior, que continha o código do cofre de Lord Browning. No dia seguinte, pela manhã, James e Tom, foram para o convento cavalgando. Depois de dois longos dias de viagem, chegaram ao convento. Estavam parados a frente do Convento de Santa Edwiges, pensando em uma desculpa para entrarem. Foi então que o céu se fechou e uma tempestade começou a cair. James e Tom sorriram. Tom bateu na porta. Uma freira de expressão severa os atendeu. James pediu abrigo, comida e um lugar para seus cavalos descansarem. A freira consentiu e abriu a porta para entrarem. Ela apresentou-se como Madre Perpétua e ofereceu comida, roupas secas e um quarto para os rapazes.
Os dois agradeceram e a seguiram. Passaram pelo refeitório, onde as freiras silenciosamente se alimentavam. A madre, segurando uma vela, os conduziu por um corredor escuro. Apenas uma porta estava aberta, De lá saía uma fraca luz que iluminava um quadro na parede. James aproximou-se e com os olhos arregalados, constatou que aquele era o quadro que viera roubar.
- Essa é Christine Burke, neta do nosso fundador – disse Madre Perpétua, vendo o olhar interessado de James.
Apenas, naquele momento, ele notou a bela moça que dormia na cama, embaixo do quadro. Com muito esforço, ele conseguiu tirar os olhos da noviça e voltou a seguir a madre e seu amigo.
Já no quarto, depois de comerem, James contou a Tom sua descoberta. Mais tarde, quando todos dormiam, eles colocaram seu plano para funcionar. Enquanto Tom vigiava, James entrou no quarto. Quando ele já tinha o quadro consigo, Christine acordou. A moça assustou-se ao ver o vulto em seu quarto, mas antes que pudesse gritar, James cobriu sua boca com as mãos, fazendo o quadro cair.
- Não grite, James pediu soltando-a.
- Quem é você? – ela perguntou assustada.
- A chuva cai forte lá fora, eu e meu amigo estamos abrigados aqui.
- E o que faz nos meus aposentos de uma freira?
- Admirar sua beleza – James respondeu.
Christine corou e sentiu um calor dentro de seu peito, mas mo mesmo instante, expulsa o rapaz de seu quarto.
- Respeite o lugar que te acolheu – disse, fechando a porta do quarto.
Tom suspirou desanimado, ao ver que seu amigo não trazia nada, além de uma expressão zangada no rosto.
A chuva continuou por mais quatro dias. James e Tom não puderam sair do convento. James tentava de todas as formas se aproximar de Christine, mas ela estava sempre em companhia das freiras. Havia algo naquela moça que o encantava. Mas ela estava inacessível, o quadro então, missão quase impossível.
No quinto dia, a chuva caia com menos violência. Porém, o clima ficou pesado no Convento de Santa Edwiges,naquela manhã. O fundador da instituição religiosa, que James nunca vira nem nas refeições, morrera de tuberculose. A última pessoa com quem o velho conversara, era Christine, que passou o resto da manhã rezando na capela. Madre Perpétua pediu para que ninguém a interrompesse, mas James não resistiu. Aproximou-se, silenciosamente e ficou parado, observando a moça até que ela o notou.
- Já sei o que o senhor procura – disse ela – Meu avô contou-me tudo sobre o senhor e seu amigo.
- Suponho, que a senhorita, nos queira fora daqui então?
- Fiquem o tempo que quiserem, mas saibam, aquele quadro não sai do meu quarto.
Quando Christine passou por ele, James segurou sua mão. Os olhos azuis dele , cruzaram com os olhos verdes dela. James inclinou-se e a beijou suavemente. Depois, despediu-se. Não tinha mais razão para ficar ali fingindo. Christine permaneceu imóvel. James chamou Tom, em menos de vinte minutos desaparecem pelas matas.
Em Londres, James contou ao Robert todo o ocorrido. Os olhos do velho homem iluminaram-se ao saber da morte do avô de Christine. Ele diz a James que o rapaz precisava roubar o quadro de girassóis agora mais do que nunca, mesmo que isso significasse matar Christine. James não acatou as ordens do pai adotivo.
E, dói ali, às margens do Rio Tamisa, que James decidiu voltar ao interior e contar à herdeira de Buske, os planos doentios do Conde de Winter. O rapaz correu para buscar seu cavalo, encontrando Tom pelo caminho, James contou ao amigo os seus planos antes de sair em disparada. No meio do caminho, porém, ele sentiu uma pancada forte em suas costas, o que o fez cair. O chão, foi a última coisa que viu antes de desmaiar.
- Já era hora de acordar filho – a voz debochada de Robert chegou aos ouvidos de James.
Ele estava esparramado em uma cadeira, as costas ardendo. James logo reconheceu onde estava, era a sede de Shadow. Ouviu os murmúrios de pessoas do lado de fora, comentando sobre o assassinato de um tal de Phelps. Seria...
- Seu amigo – Robert, como se adivinhasse os pensamentos do rapaz – Traiu um dos nossos, e você sabe o que acontece com traidores, não? Porque é o que acontecerá com você.
James não se importava mais. Que o matasse então. A única coisa que queria saber era a verdade. Robert não se negou a contá-la. O rapaz estava morto. Revelou o motivo de sua obsessão pelo quadro de Lord Browning. Na verdade, ele era um antigo membro da sociedade secreta, o encarregado de pegar o tão famoso quadro. Mas, quando o tinha em mãos, fugiu com ele e com o dinheiro do antigo dono.
- E por que o quadro estava num convento? – James perguntou.
- Não é óbvio? Ele fundou o Santa Edwiges, o avô de Christine, eu ordenei o seu assassinato.esta manhã.
- Você o quê?! – James pulou da cadeira, chocado e revoltado. Sentiu sua arma pesando dentro da capa.
- E se isso interessa, quem o traiu, foi Tom.
- Mentira! – James gritou e atirou no pai adotivo, sem pensar duas vezes.
Robert recebeu o impacto e caiu. Antes de morrer, sussurrou – “James, você é meu... – O que James era dele?, o rapaz nunca soube. Atordoado e confuso, sai em busca de um cavalo para ir ao convento. Não queria acreditar que Christine pudesse estar morta. Os dias de viagem pareciam infinitos. James respirou aliviado ao ver a noviça a sua frente. Ele pediu para ver o quadro, Christine contou a ele que o avô gastara toda a fortuna no convento e em ações beneficentes.
Temendo pela vida da senhorita, James queimou o quadro, pois sabia que os outros membros de Shadow, viriam procurá-lo. A moça, que decidira abandonar o hábito, aceitou fugir com o rapaz para América. Talvez, a única chance de escapar de Stephen.