sexta-feira, dezembro 09, 2005

Maldito Divino



Maldito Divino
Carolina Almeida 3ºE
Vanessa Neves 3ºE

Dona Escolástica dos Anjos de Deus, vivia com o marido numa casinha no interior do Paraná. Fora o seu marido, Seu Divino dos Anjos de Deus, a velha não tinha mais ninguém, pois era chata e arrogante.
Um dia, seu divino morreu e durante o enterro, um cachorro vira-lata a seguiu até sua casa. Então, Dona Escolástica pensou - “Já que o ‘cachorro’ morreu, vou pegar outro para me fazer companhia.”
A velha adotou o cachorro e deu-lhe o nome de Divino. Alguns anos se passaram, Divino era a única distração da velha senhora. O único problema era que o cão vivia sumido no mundo, e quando voltava era só para comer. Dona Escolástica ficava furiosa.
Certa vez o cachorro sumiu por duas semanas, quando voltou estava todo lambuzado de graxa. Dona Escolástica o xingou até não poder mais, pois teria que dar-lhe um banho, coisa que nunca precisou fazer, porque o cão tomava banho de chuva, de vez em quando. Enquanto esfregava o animal, ralhava - “seu cão dos infernos! Nunca dei banho nem em criança e agora tenho que dar banho num animal! Nunca mais faça isso! Quando eu acabar vou amarrar você e não vai sumir de novo!”
Dona Escolástica cuidou dele, afinal por pior que fosse, ele nunca a deixara, era seu companheiro desde a morte do marido. Já era tarde, Escolástica foi dormir, mas antes, deixou Divino amarrado.
Após uma conga noite de insônia, levantou e tomou uma xícara de chá preto e esticou-se no sofá, como de costume. Gritou por Divino, que não apareceu, então lembrou que o deixou amarrado, e foi até o quintal resmungando. Abaixou-se com dificuldade para soltar a corrente, olhou o cachorro bem de perto e notou algo estranho, ele tinha uma mancha preta, mas Divino era totalmente branco.
Dona Escolástica passou minutos pensando no caso – “Será que eu não lavei ele direito?” Então soltou o cachorro e tentou remover a mancha, quando percebeu que não era sujeira...era o pelo do cachorro mesmo – “Maldito! Não é o meu Divino!”