sexta-feira, dezembro 16, 2005

Tarde demais




TARDE DEMAIS
CECILIA MASCARA FERREIRA CALOR – 8ª. C


Como de costume, o carteiro bate à porta da casa 721. É cedo, e o gato já se espreguiça no portão.
A barba por fazer, a roupa amassada, o passo descompassado do chinelo velho, denuncia a chegada de Marcos, que recebe o carteiro friamente. Ele pegou sua correspondência e analisou-a. Uma das cartas chamou sua atenção. Era da Austrália. A letra era de sua irmã Mônica, avisando que sua mãe Cláudia estava à beira da morte.
“...Venha para cá o mais rápido possível, mamãe está mal...”
Marcos ficou preocupado. Foi até o quarto e pegou uma mala antiga e jogou-a sobre a cama. Um estalo passou pela cabeça de Marcos.
“Como ir para Austrália sem ser de avião, se eu tenho pânico de voar?”
O gato entra no quarto assustado. Provavelmente foi atingido pelo jornal que chegara há pouco.
Só poderia ser coincidência. Uma propaganda anunciava uma escola que ajuda pessoas com pânico de aviões, barcos, elevadores e lugares fechados.
Marcos vestiu-se rapidamente e foi ao endereço indicado no folheto.
A escola não era grande coisa. Estava vazia sem nenhum aluno sequer. O professor se apresentou. Ele era meio estranho, às vezes ele mudava de assunto completamente.
As aulas começam, os exercícios são de assustar qualquer um.
O primeiro exercício foi no parque no parque da cidade, onde havia uma ponte velha e muito alta. O objetivo era atravessá-la de olhos fechados. Esse exercício era para tentar amenizar o medo de altura.
O segundo exercício era para acabar com o medo de lugares fechados. Para isso ele ficou dentro de uma sala toda branca, sem janelas e sem nada dentro, a não ser Marcos. (Não me pergunte onde o professor encontrou esse lugar, porque não sei dizer).
Depois de algumas aulas, Marcos sentiu que estava pronto para partir. Desde a carta de Mônica já havia se passado uma semana.
Marcos levantou-se bem cedo, arrumou as malas e chamou um táxi, na saída de casa recebeu o carteiro, pegou a correspondência e colocou-a no boldo do casaco e seguiu para o aeroporto.
A carta era de Mônica e dizia:
“Marcos, mamãe não sobreviveu à doença”.